Na segunda manhã, o trem já estava a quatrocentos quilômetros a leste de Moscou. Polly acordou sobre a pequena mesa dobrável. A luz pela janela era o cinza suave de uma manhã de verão no norte. Galina, a mulher mais velha, já estava bebendo chá de um copo em um suporte de metal.
"Bétulas," ela disse.
Polly olhou. Lá fora, árvores de troncos brancos passavam a sessenta quilômetros por hora. Elas estavam por toda parte. Elas continuavam. Não estavam em bosques ou clareiras. Elas eram toda a paisagem.
Este era o limite oeste do cinturão de bétulas da Rússia. A bétula-branca tem a maior distribuição natural de qualquer árvore decídua na Terra. Ela cresce onde quase nada mais cresce. É a árvore que diz: houve um incêndio aqui, ou, haverá uma floresta aqui, mas eu estou aqui primeiro.
O jovem com o laptop, cujo nome era Pavel, olhou para cima. "Você é a papagaio," ele disse em um inglês sem emoção. "Eu percebi." Ele voltou a digitar.
Galina serviu um segundo copo de chá e ofereceu a Polly. Era da cor de âmbar. Uma fina fatia de limão flutuava no topo. O samovar no final do vagão estava funcionando há doze horas seguidas.
Read it. Then say it.
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Polly tomou um gole cuidadosamente pela borda do copo. Estava muito quente e muito doce.
"A parte mais longa desta viagem são as árvores," Galina disse. "As pessoas não entendem isso até fazerem a viagem. Você se senta em um trem por seis dias e olha para as árvores. Não há fim para elas."
A taiga começa além do Volga. Cerca de quarenta por cento da área terrestre da Rússia é taiga. O país contém aproximadamente vinte por cento de todas as florestas do mundo.
Polly tomou um segundo gole. Pavel digitava. Galina voltou ao seu livro. Lá fora, quatrocentos quilômetros passavam como se fossem uma única bétula contínua.